sábado, 4 de fevereiro de 2012

xadrez

I
As ruas depois da chuva parecem mais vivas,
Todo mundo respirando um ar quase puro,
Com o olhar voltado para a beleza dos corpos,
Uma miríade colorida de imagens na mente,
Do trabalho, dos protestos, queremos mesmo é resultado,
Sentir feliz a consumação do prazer trabalhado, da jogada planejada
É como se fosse xadrez só que têm mais peças
Uma maior aleatoriedade,
Mais casas,
Moças e moços,
Crianças,
E dinheiro envolvido,
Mas é como xadrez,
é só tomar o centro pra vencer,
Calcular o movimento dos competidores,
Prever seus erros e se desviar dos seus acertos,
Evitando assim meus erros
Mas é como se fosse xadrez,
E não me adianta falar,
Que não têm sentimentos,
Que é frio e calculista,
na minha estratégia somo a sua e as minhas emoções
É como se fosse xadrez,
O cheque mate, ora é seu ora é meu
Jogo acabado, acaba reiniciado...
II
De fato é o Amor, ele é anterior ao xadrez
Dele nasce a verdade, e o xadrez
E os sonhos de esperança que atravessam o dia
Alegria,
Hinos a Alegria pela vitória, sorte no jogo azar no amor
Sabedoria do jogo é tanto se mover,
Como ficar parado,
Longe dos canalhas,
Dos cães e dos ladrões!
Melhor ficar no meio dos que não sabem de nada,
Ou daqueles que são roucos por gritarem em busca de justiça,
Só sabe o que é verdade quem sente na pele o sofrimento alheio,
A dívida no banco, os juros, o abandono, a solidão cercada de telas!
Abaixo o capital financeiro!
Com suas vitrines que prometem crédito fácil,
No fundo o que importa é ter dignidade,
Descansar,
Dormir tranqüilo,
Meditar os dias,
Bons ou maus...
Saber jogar xadrez não explica o amor!
Mas explica o raciocínio do banqueiro
Por isso a vida as vezes parece xadrez, mas é mais poética,
É mais paradoxal.

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