I
Geralmente se começa pelo olhar
com ele desenhamos o corpo,
boca, nariz, bochecha, pescoço
depois falar, sorrir, conjugar interesses e prazeres,
Chegando ao confluir de formas e palavras,
boca, pescoço
mãos, dedos dos pés
II
acariciando os pés as mãos sobem,
moldando no cérebro o corpo, pernas, coxas, virilha,
desvia-se do centro, do meio, ainda não..!
a barriga macia recebe o carinho das mãos,
os dois montes são experimentados e carinhosamente
os bicos pressionados pelos dedos
olhos nos olhos
na boca entreaberta aos poucos o querer rígido entra lentamente
raspando o céu da boca quente
a língua dança trabalhando intensamente
III
Mão em meio ao jardim das delicia perde-se,
dedos,
sobem e descem,
mergulhando no pote de mel,
brincando feito criança,
a boca já não se contém e engole todo o jardim
delicia-se lenta e vagarosamente,
a língua percorrendo, pressionando dobras, fendas,
deixa escorrendo todas as superfícies
IV
já não há mais pudor
as medidas de largura e comprimento mutuamente se medem
se fodem em cada centímetro,
o que entra não quer sair, se sai,
volta, volta,
hora por cima hora por baixo,
anéis dilatados palpitando e quentes
fode, mete e fode
explode fazendo escorrer o clítoris, meio e botão
Ofegantes e cansados,
os amantes quietos
ainda sentem o delicado declínio do desejo,
que vagarosamente lateja...
segunda-feira, 26 de maio de 2014
o devir das coisas
tentando encontrar o sentido das coisas,
nem tanto para querer possui-las,
mas para encontrar o caminho melhor
para se livrar de certos engôdos
que se apresentam sob a forma de razão
de instituição,
de bom censo
Um profundo abismo ali disfarçado de jardim,
uma sereia,
uma prisão ricamente mobilhada
Nestes casos digo que para se desviar é preciso sorte
ou previsão,
uma ciência Divina...
nem tanto para querer possui-las,
mas para encontrar o caminho melhor
para se livrar de certos engôdos
que se apresentam sob a forma de razão
de instituição,
de bom censo
Um profundo abismo ali disfarçado de jardim,
uma sereia,
uma prisão ricamente mobilhada
Nestes casos digo que para se desviar é preciso sorte
ou previsão,
uma ciência Divina...
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