segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ode materialista a uma musa.

I
Geralmente se começa pelo olhar
com ele desenhamos o corpo, boca, nariz, bochecha, pescoço
depois falar, sorrir, conjugar interesses e prazeres,
Chegando ao confluir de formas e palavras,
boca, pescoço mãos, dedos dos pés

 II
 acariciando os pés as mãos sobem,
 moldando no cérebro o corpo,  pernas, coxas, virilha,
desvia-se do centro, do meio, ainda não..!
a barriga macia recebe o carinho das mãos,
os dois montes são experimentados e carinhosamente
os bicos pressionados pelos dedos
olhos nos olhos
na boca entreaberta aos poucos o querer rígido entra lentamente
 raspando o céu da boca quente
a língua dança trabalhando intensamente

 III

Mão em meio ao jardim das delicia perde-se,
dedos, sobem e descem,
mergulhando no pote de mel, brincando feito criança,
a boca já não se contém e engole todo o jardim
delicia-se lenta e vagarosamente,
a língua percorrendo, pressionando dobras, fendas, deixa escorrendo todas as superfícies

IV
já não há mais pudor as medidas de largura e comprimento mutuamente se medem
se fodem em cada centímetro,
o que entra não quer sair, se sai, volta, volta,
 hora por cima hora por baixo,
anéis dilatados palpitando e quentes
fode, mete e fode
explode fazendo escorrer o clítoris, meio e botão
Ofegantes e cansados,
os amantes quietos ainda sentem o delicado declínio do desejo,
que vagarosamente lateja...

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